25Outubro
2007
Pequeno investidor amplia busca por educação financeira
Fontes externas
Atraído por ações, pequeno investidor amplia busca por educação financeira
SÃO PAULO - Que o investimento em ações tem se tornado cada vez mais popular entre os pequenos investidores, não é uma grande novidade. Enquanto em 1997 as pessoas físicas responderam por pouco mais de 10% do volume financeiro negociado na Bovespa, desde o ano 2000 que esta fatia se mantém acima dos 20%. E, ao que tudo indica, assim deve continuar ao longo dos próximos anos.
Alguns fatores explicam o maior interesse por parte do pequeno investidor: para começar, ao fechar 2007 no campo positivo, o Ibovespa marcará seu quinto ano consecutivo de valorização, o que por si já é um bom argumento, já que no mesmo período não se pode falar tão bem da renda fixa.
Juro em baixa colocou ações em evidência
Mais especificamente, segundo Paolo Mason, diretor de atendimento da Win, home broker da Alpes Corretora, quando as taxas de juros brasileiras eram mais elevadas, o investimento em renda fixa reunia ganhos expressivos e baixo risco, além de não demandar uma busca muito árdua por informações. Este quadro, no entanto, tem mudado gradativamente nos últimos anos.
Já para o Ibovespa, há projeções que indicam um fechamento anual na casa dos 70 mil pontos, caso, por exemplo, dos analistas do BB Investimentos. E mesmo aqueles que esperam para o final de dezembro um número mais modesto, de uma forma geral, elegem o Brasil como um dos destinos mais atrativos entre seus pares emergentes.
Além "da própria tendência de alta das ações observada nos últimos anos", o analista Theodoro Fleury ressalta ainda "o sucesso dos IPO´s durante esse período". Mas, não é só o fator "rentabilidade" que explica a maior popularidade da Bolsa brasileira. De fato, também há o quesito acesso. Ocorre que, nos últimos anos, o home broker democratizou o acesso ao mercado de ações, além de reduzir significativamente os custos de transação, comenta Mason.
Para poucos, para todos
Antigamente, investidores de pequeno porte não tinham fácil acesso às mesas de operações, cuja prioridade era atender aqueles que movimentavam volumes financeiros mais significativos. Dentro deste contexto, para Mason, a participação das pessoas físicas só não cresceu mais em termos relativos porque o tamanho do mercado como um todo aumentou muito.
Para se ter uma idéia, enquanto há cerca de sete anos o volume financeiro diário total era de aproximadamente R$ 500 milhões, atualmente, este número se aproxima dos R$ 5 bilhões por dia. Isto significa que, hoje, somente as pessoas físicas giram, por dia, duas vezes o volume total do mercado no ano 2000, tendência que deve seguir presente.
Para 1 milhão de convidados
De acordo com Fleury, é muito provável que a fatia das pessoas físicas aumente consideravelmente. "Para se ter uma idéia, a CBLC tem hoje em dia algo em torno de 300.000 CPF´s inscritos como investidores. Esse número nos próximos cinco anos pode chegar a 1.000.000 com relativa facilidade", reforça.
Todavia, na opinião do analista, a velocidade com que isso deve acontecer vai depender, principalmente, do comportamento dos preços das ações e das taxas de juros. Em todo caso, "o processo de consolidação do mercado e de conscientização das pessoas físicas quanto ao investimento em bolsa é um processo que não tem volta, veio pra ficar".
Começar não precisa ser difícil
Mas, naturalmente, nem todos que ingressaram no universo das ações podem comemorar ganhos robustos. De fato, segundo analistas, não raro, atraídos por expressivos ganhos passados e a despeito da escassez de informações, investidores se entregam ao mercado acionário sem o planejamento adequado, o que muitas vezes torna a experiência um tanto amarga.
Todavia, ficar longe deste tipo de frustração pode não ser tão difícil quanto parece. De acordo com Mason, a primeira orientação para quem nunca operou é começar fazendo algum curso, muitas vezes ministrado na própria corretora. Feito isso, o ideal é não colocar mais do que 10% dos recursos disponíveis na renda variável e "fugir do risco", isto é, preferir empresas sólidas, com foco em dividendos e visão de longo prazo.
Em linha, Fleury sugere, "antes de mais nada, um investimento em educação. Hoje em dia existe uma grande gama de cursos e palestras acessíveis à maioria das pessoas e por preços razoáveis. Tanto cursos de introdução ao mercado, como cursos mais avançados de análise técnica, fundamentalista, mercado de derivativos, e por aí vai".
Assimetria de informações
Realmente, o leque de informações disponíveis e capazes de formar uma base de conhecimento sólida é grande, mas, infelizmente e a despeito das diversas ações recentes, é ainda inacessível a muitos. A má notícia é que ainda "não existe uma estratégia ampla e coordenada de difusão das iniciativas de educação financeira".
A frase é de Álvaro Modernell, especialista em educação financeira que, entre outros projetos, criou uma coleção de livros infantis que apresenta às crianças este universo tão amplo.
Segundo Modernell, "o que se encontra, procurando bastante, são iniciativas isoladas nessa direção". De acordo com o especialista, são muitas as incursões da iniciativa privada (...) e pontuais as participações das esferas municipais, estaduais e federal.
Mãos à obra
"É de se destacar a louvável iniciativa que a Bovespa tem difundido no mercado de ações. O mesmo tem ocorrido com dezenas de corretoras. Elas têm trabalhado mais para "ampliar o tamanho da pizza do que brigado pelas fatias do mercado, em termos de clientes", destaca o especialista.
Este tipo de atuação ainda está mais restrito ao mercado acionário, "que vai crescendo muito bem obrigado, porém o contexto da educação financeira é muito mais amplo do que isso e ainda bastante tímido", pondera.
Principais avanços
Todavia, entre os destaques positivos está o interesse cada vez maior da população em geral em buscar mais capacitação e informações, tanto que já são mais de 50 títulos publicados no Brasil com foco em educação financeira. Ademais, na internet é possível encontrar bons artigos e dicas, inclusive voltados para um público mais jovem, por vezes, sequer bancarizado.
Também é possível notar, segundo Modernell, uma clara preocupação da população com a formação de poupança para a fase pós-aposentadoria. Finalmente, "já é quase consenso no mercado profissional que as atitudes perante o dinheiro são tão ou mais relevantes do que os conhecimentos técnicos", comemora.
População: a grande beneficiada
Modernell argumenta que, embora ainda seja pequena a parcela do público que tem acesso à educação financeira, não há dúvidas de que a população é a grande beneficiada por tais iniciativas. As "pessoas bem-educadas financeiramente conseguem tirar melhor proveito do dinheiro que recebem".
Concluindo: "a educação financeira permite às pessoas aprender a otimizar a sua situação financeira por meio de posturas coerentes com a sua realidade e seus objetivos. Dentre os benefícios de adquirir mais educação financeira está o melhor equilíbrio entre as posturas de gastador, poupador e investidor".
Alguns fatores explicam o maior interesse por parte do pequeno investidor: para começar, ao fechar 2007 no campo positivo, o Ibovespa marcará seu quinto ano consecutivo de valorização, o que por si já é um bom argumento, já que no mesmo período não se pode falar tão bem da renda fixa.
Juro em baixa colocou ações em evidência
Mais especificamente, segundo Paolo Mason, diretor de atendimento da Win, home broker da Alpes Corretora, quando as taxas de juros brasileiras eram mais elevadas, o investimento em renda fixa reunia ganhos expressivos e baixo risco, além de não demandar uma busca muito árdua por informações. Este quadro, no entanto, tem mudado gradativamente nos últimos anos.
Já para o Ibovespa, há projeções que indicam um fechamento anual na casa dos 70 mil pontos, caso, por exemplo, dos analistas do BB Investimentos. E mesmo aqueles que esperam para o final de dezembro um número mais modesto, de uma forma geral, elegem o Brasil como um dos destinos mais atrativos entre seus pares emergentes.
Além "da própria tendência de alta das ações observada nos últimos anos", o analista Theodoro Fleury ressalta ainda "o sucesso dos IPO´s durante esse período". Mas, não é só o fator "rentabilidade" que explica a maior popularidade da Bolsa brasileira. De fato, também há o quesito acesso. Ocorre que, nos últimos anos, o home broker democratizou o acesso ao mercado de ações, além de reduzir significativamente os custos de transação, comenta Mason.
Para poucos, para todos
Antigamente, investidores de pequeno porte não tinham fácil acesso às mesas de operações, cuja prioridade era atender aqueles que movimentavam volumes financeiros mais significativos. Dentro deste contexto, para Mason, a participação das pessoas físicas só não cresceu mais em termos relativos porque o tamanho do mercado como um todo aumentou muito.
Para se ter uma idéia, enquanto há cerca de sete anos o volume financeiro diário total era de aproximadamente R$ 500 milhões, atualmente, este número se aproxima dos R$ 5 bilhões por dia. Isto significa que, hoje, somente as pessoas físicas giram, por dia, duas vezes o volume total do mercado no ano 2000, tendência que deve seguir presente.
Para 1 milhão de convidados
De acordo com Fleury, é muito provável que a fatia das pessoas físicas aumente consideravelmente. "Para se ter uma idéia, a CBLC tem hoje em dia algo em torno de 300.000 CPF´s inscritos como investidores. Esse número nos próximos cinco anos pode chegar a 1.000.000 com relativa facilidade", reforça.
Todavia, na opinião do analista, a velocidade com que isso deve acontecer vai depender, principalmente, do comportamento dos preços das ações e das taxas de juros. Em todo caso, "o processo de consolidação do mercado e de conscientização das pessoas físicas quanto ao investimento em bolsa é um processo que não tem volta, veio pra ficar".
Começar não precisa ser difícil
Mas, naturalmente, nem todos que ingressaram no universo das ações podem comemorar ganhos robustos. De fato, segundo analistas, não raro, atraídos por expressivos ganhos passados e a despeito da escassez de informações, investidores se entregam ao mercado acionário sem o planejamento adequado, o que muitas vezes torna a experiência um tanto amarga.
Todavia, ficar longe deste tipo de frustração pode não ser tão difícil quanto parece. De acordo com Mason, a primeira orientação para quem nunca operou é começar fazendo algum curso, muitas vezes ministrado na própria corretora. Feito isso, o ideal é não colocar mais do que 10% dos recursos disponíveis na renda variável e "fugir do risco", isto é, preferir empresas sólidas, com foco em dividendos e visão de longo prazo.
Em linha, Fleury sugere, "antes de mais nada, um investimento em educação. Hoje em dia existe uma grande gama de cursos e palestras acessíveis à maioria das pessoas e por preços razoáveis. Tanto cursos de introdução ao mercado, como cursos mais avançados de análise técnica, fundamentalista, mercado de derivativos, e por aí vai".
Assimetria de informações
Realmente, o leque de informações disponíveis e capazes de formar uma base de conhecimento sólida é grande, mas, infelizmente e a despeito das diversas ações recentes, é ainda inacessível a muitos. A má notícia é que ainda "não existe uma estratégia ampla e coordenada de difusão das iniciativas de educação financeira".
A frase é de Álvaro Modernell, especialista em educação financeira que, entre outros projetos, criou uma coleção de livros infantis que apresenta às crianças este universo tão amplo.
Segundo Modernell, "o que se encontra, procurando bastante, são iniciativas isoladas nessa direção". De acordo com o especialista, são muitas as incursões da iniciativa privada (...) e pontuais as participações das esferas municipais, estaduais e federal.
Mãos à obra
"É de se destacar a louvável iniciativa que a Bovespa tem difundido no mercado de ações. O mesmo tem ocorrido com dezenas de corretoras. Elas têm trabalhado mais para "ampliar o tamanho da pizza do que brigado pelas fatias do mercado, em termos de clientes", destaca o especialista.
Este tipo de atuação ainda está mais restrito ao mercado acionário, "que vai crescendo muito bem obrigado, porém o contexto da educação financeira é muito mais amplo do que isso e ainda bastante tímido", pondera.
Principais avanços
Todavia, entre os destaques positivos está o interesse cada vez maior da população em geral em buscar mais capacitação e informações, tanto que já são mais de 50 títulos publicados no Brasil com foco em educação financeira. Ademais, na internet é possível encontrar bons artigos e dicas, inclusive voltados para um público mais jovem, por vezes, sequer bancarizado.
Também é possível notar, segundo Modernell, uma clara preocupação da população com a formação de poupança para a fase pós-aposentadoria. Finalmente, "já é quase consenso no mercado profissional que as atitudes perante o dinheiro são tão ou mais relevantes do que os conhecimentos técnicos", comemora.
População: a grande beneficiada
Modernell argumenta que, embora ainda seja pequena a parcela do público que tem acesso à educação financeira, não há dúvidas de que a população é a grande beneficiada por tais iniciativas. As "pessoas bem-educadas financeiramente conseguem tirar melhor proveito do dinheiro que recebem".
Concluindo: "a educação financeira permite às pessoas aprender a otimizar a sua situação financeira por meio de posturas coerentes com a sua realidade e seus objetivos. Dentre os benefícios de adquirir mais educação financeira está o melhor equilíbrio entre as posturas de gastador, poupador e investidor".
Por: Fernanda Senra
25/10/07 - 12h00
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