20Junho
2010

As mulheres e suas bolsas

Marisa Gabbardo
  

Já há algum tempo a palavra bolsa passou a ter um significado diferente do que vínhamos acostumados a ouvir com relação às mulheres. Há milênios as bolsas e sacolas vêm se destacando na sociedade pela característica de conter, mante, guardar. E a bolsa de carregar coisas na mão ou a tiracolo sempre foi depositária deste simbolismo.
 
Mas há um outro tipo de bolsa no qual as mulheres vêm guardando seus pertences. As mulheres de hoje estão conhecendo e se especializando em operar na Bolsa de Valores. Esta agora desponta como grande guardadora de investimentos de milhares de mulheres independentes e trabalhadoras, que fazem deste local o depositário e multiplicador de suas economias. Sinal dos tempos atuais em que elas têm seus rendimentos aumentados por uma maior penetração no mercado de trabalho e maior fonte de renda na familia.
 
Este território, antes muito masculino, está cada vez mais sendo invadido pelas mulheres, que também querem fazer suas apostas e investimentos.
 
As mulheres sempre influenciaram os hábitos de consumo das familias, pois normalmente a administração do lar cabe a elas. Das compras de supermercado e vestuário a móveis e imóveis da família, geralmente são as mulheres que palpitam e muitas vezes "apitam" a decisão final.

Hoje, as mulheres estão se dando ao direito de escolher mais por conta de sua maior participação nos rendimentos familiares. E então, a bolsa à tiracolo não sai de cena, mas fica num papel secundário nestes novos tempos, onde a bolsa de valores passa a carregar o dinheiro das mulheres.
 
Tenho lido muitos artigos de revistas direcionados ao público feminino, com o intuito de esclarecer e auxiliar as mulheres a entenderem melhor os termos e formas de utilização destes dentro da Bolsa. Esta abertura é bem importante, mas não fica atrás da outra e primeira abertura que é a administração de uma moradia. Digo no sentido de que se ainda são as mulheres que podem parir (pelo menos por enquanto!), e por isso  ainda são elas que circulam mais pelo meio familiar, e ainda são as que maior poder de decisão têm sobre a condução do dinheiro da casa. Se muito ainda é assim, também é pertinente que as mulheres possam se perguntar quanto podem fazer render melhor o dinheiro da casa quando bem administrado  versus o rendimento percebido em operações na bolsa de valores.
 
É óbvio que em muitas situações o dinheiro multiplicado através da bolsa é bem maior do que aquele economizado num bom gerenciamento da casa. Mas há um plus que proponho pensarmos que é o do modelo e ensinamento que as mães podem proporcionar aos filhos no que diz respeito à educação financeira, quando além de operarem na bolsa, ensinam-lhes técnicas administrativas de um bom gerenciamento do dinheiro da casa. Claro que aos homens também cabe isso, principalmente nos dias atuais em que muitas tarefas são divididas e ambos trabalham para prover o lar. (homens: não se sintam excluídos desta responsabilidade!)
 
Saliento a questão da importância de se dar educação financeira às crianças pois muito do que eles serão como adultos é reflexo dos ensinamentos que tenham recebido em casa. E estes ensinamentos devem ser os mais básicos, aprendendo a fazer continhas de adição e subtração ao acompanharem os raciocínios dos pais nos gastos e economias do quotidiano. Não é olhando-os operar na bolsa que as crianças aprenderão as noções primeiras de economia. Esse mundo é muito abstrato ainda para elas compreenderem. As crianças necessitam de ensinamentos fáceis e concretos. Quem sabe até possam se tornar investidores de sucesso se tiverem uma boa base familiar de educação para as finanças.
 
Sugeriria às mulheres (e aos novos pais também!) que não abram mão de conhecerem mais sobre a Bolsa de Valores, mas não abdiquem do seu importante papel de mães e mulheres e não deixem de lado a bolsa à tiracolo.




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